Ela arranca da bolsa aquele cigarro velho e estropiado . Coloca Tribalistas de fundo pra significar alguma coisa sem sentido. O dia amanheceu nublado e continua nublado. Talvez esse tenha sido um dia que pedisse sol. Alguma coisa diferente daquela amargura desgastada que ela carregava na alma desde que se percebeu viva e acordada. Uma vazies inigualável. Passou os dias de porre nos butecos da cidade, arrancando das ruas o sentido pro outro dia. Mas nada bastava, nada além daquele gosto amargo na boca, aquela sensação de fracasso nos pés sem ter pra onde ir. Trancou-se no quarto e buscando vontades acendeu outro cigarro.Fumava aquela fumaça velha que arranhava a garganta já envelhecida pelos tantos gritos silenciosos dados ao longo da vida.ela queria poder fazer alguma coisa nesse dia compreendido de vitorias sociais e profissionais.Mas nada tinha tanta importância assim, e aquele gosto, aquela amargura não diminuía.Troca a musica pra algo mais parecido com o entupimento da descarga da vida.Amy!Black to Black.No telefone nenhuma chamada não atendida, nenhuma mensagem ou tentativa de comunicação.A solidão doía nesses dias nublados, doía mais que em outros dias.Estoy bien estoy bien, ela repetia pra tentar acreditar naquela voz que saía dela e nunca parecia sua.Saramago, Clarice , Caio e Pessoa na prateleira. Tocos de cigarro espalhados pelo quarto limpo.Uma desorganização sem sentido.Olhar pra tudo e não perceber do que as coisas são feitas ou porque elas se encontram ali, ou não descobrir qual o sentido daquilo tudo, doía!Ela precisa estudar história, escrever um artigo e organizar algumas coisas do trabalho. Mas... nada!Nada que lhe desse uma mínima vontade de continuar, nada além daquele cigarro duro, cortando salivas podres com gosto de barro e leite azedo.Lembrou-se dos dias cheios, dos sonhos construídos nas falas cotidianas, das vontades que tinha, e aquela esperança que escondia em tudo que lhe causasse fé.Nesse exato momento percebia-se vazia de tantas coisas que já desejou ser, ter, fazer.Verbos e verbos escondendo a verdadeira ação que ela esperava da vida, da sua vida construída a base de quê?Sem base, sem base pra nada porque tudo havia sido desconstruído pelos conhecimentos adquiridos.Que merda de conhecimento é esse que rouba da gente o desejo pra tudo?que porra é essa que chamamos de saber?O que ela queria mesmo era nunca ter acordado depois da primeira vez que desejou morrer e paralisar a vida naquele instante único e verdadeiramente feliz. Não esse feliz que a gente conhece, mas aquele feliz que não precisa de mais, não precisa de depois, um instante congelado pra sempre na alma de alguém, sem amanha, sem talvez ou possibilidades de destruição de toda aquela coisa gostosa do dia anterior.Um passado doce.A merda é que depois de tudo ela nem consegue se lembrar direito de todos os detalhes do dia.Fim, lixo, antes, passado, já foi, já era, não existe mais.tenta colocar na sua cabeça atrofiada essa determinação do agora.Mas pra quê?se aquele antes foi melhor que tudo?desliga tudo e abre todas as portas e janelas, espera do mundo uma existência maior que a sua.O silencio La fora parece engoli-la instantaneamente.Paralisada ela se lembra de todos os dias que foi feliz, de todas as coisas que disse pra ela mesma que iria fazer...e chora, chora como a única coisa boa a ser feita naquela dureza de dia nublado, se escorrega em lágrimas de um vontade desconhecida...e caí!continua caindo pelas ruas e calçadas, rola pelos esgotos enegrecidos daquela cidade velha e enlouquecida....caí mais, continua caindo mais e nada, nada, nada, nada de se lembrar o porque daquilo tudo.
Eu te amei da maneira mais pura e limpa. Eu te quis dessa maneira minha sem solução, essa instabilidade constante e ansiedade pra qualquer coisa, qualquer acontecimento que tirasse de mim essa certeza de vida, que me carregasse pra algum lugar longe desse quarto fechado e esse medo de ter que pensar no amanhã. Eu te amei porque amar era bonito e eu gostava disso. Gostava dos dias ensolarados e dos dias nublados também. Mesmo tomando porres homéricos, eu te amava. E nada nunca bastou pra mim, e hoje eu sei que nunca nada vai bastar, mesmo que esteja limpo, mesmo que seja certo, aquilo me aperta e eu saio correndo gritando pela rua, falando pras pessoas que o mar ta logo ali. Chorando por dentro aquela ausência que eu tentava apagar. Aquele medo de futuro incerto. Eu te amei tão simplesmente que eu me perdi, e depois não encontrei mais nada. Nada além desse pequeno quarto, essas pequenas vontades e esses pequenos medos que nunca me largam, mesmo que eu corra, mesmo que eu grite, mesmo que eu ame. Vou sempre chorar sozinha por alguma coisa que nem eu sei dizer o que é, só sei que chorar me alivia, e a gente precisa de alguma coisa além de alivio?acho que não!eu te amei porque descobri que mesmo se um dia eu deixasse de te amar você sempre estaria aqui nessas minhas lembranças de fim de feriado, nessas vontades de reter pra sempre tudo que um dia foi bom, mesmo que não tenha sido tão bom assim. Me alivia.
Nildo
Desnuda sua alma pra mim.Me escreva seus dias, suas sujeiras de quartos vazios, seus olhos de moço inundado de esperança.Fé?talvez, eu sei que um dia a gente encontra, um dia você vai olhar pra mim e dizer um monte de coisas sem sentido e lá dentro vai bater o sentido pra tudo, e no fundo do copo de cerveja vazio vamos descobrir o risco de estar para o outro, de ser esse desencontro de encontros eminentes, essa falta que faz todo sentido do mundo.Um dia vou te dizer uma coisa e depois vamos juntos de mãos dadas, correndo entre os faróis da cidade até chegar nas cachoeiras do campo.Você com seu sapato de cordas e eu com meus pés rachados martelando pelo chão esse silêncio sem nexo.Essa profundidade clara que conta do mundo.Um vapor de líquido com desejo de criação.
Eu volto pra casa, e você volta pra vida.
Te amo.
Dayane Lacerda
Todos os dias eram assim. Sozinha. Lembranças de uma família distante, um passado recorrente no limiar da vida. O corpo soprava respiro, a alma se enjaulava. Erguia as quatro paredes sustentadas por pilastras físicas-mentais: alguns livros, cigarros e música. Preferia permanecer ausente. Inspirava-se de sentimentos, nada comuns, algumas vontades adjacentes. Infame!Tentava, de uma maneira qualquer, deixar gravada a instancia do presente. Difícil solução para o desespero. Cometia crime intelectual contra si mesma, riscava o que não lhe pertencia, queimava na memória as regras e vinha, vinha com sua cara malhada, carregada de incertezas malevolentes. Sequiosa de si ela chorava.
Parece-me que as grandes coisas da vida perderam o sentido pra mim.Talvez hoje eu só consiga dormir a base de muita cachaça e cigarros. Nos últimos instantes de vida os dias perderam o sentido. Sem ninguém, medo de envolvimento. Eu não sou como vocês. O grito beira minha garganta e para pelo soluço. Eu não sou assim, me envolvo de mais e isso me mata. Sem “eu”, desestabilizo. Com “outros” estou e esse meu “eu” se torna, sobre um foco de luz ele é. Essa luz de pernas finas, cheia de cabeças ao redor. Qual o sentido dessa minha existência?Cansei um pouco dessa pergunta. Porque dói, dói saber de um porque para alguma coisa. Em um dia quero, no outro desencontro, desmonto os quereres passados, nada pronto. Porque eu só sei mesmo é sentir. E isso não pode ser motivo de vida, não é uma profissão, e só me causa enfermidade. Tenho tentado nos últimos dias a responsabilidade única de meus atos, o querer sem respostas, a independência do meu “eu”. Sem necessidade do outro. Mas tem sido uma labuta difícil de se erguer pelas minhas pilastras intelectuais, são pilastras falhantes, riscosas e sem-pé-de-ser. Mas uma vez dói!E tem sido dor os meus quereres. Teorias, práticas e vontades. Tudo tem sido dor, e por quê?Mas uma vez uma pergunta sem resposta. Coberta de pontos de interrogações, essa é uma imagem minha para além dos meus sonhos. Quando criança sonhava com respostas pra vida, com castelos de meninas felizes com seus rapazes valentes. Tudo se desconstruiu. Só me restaram peças, pedaços, e não sei mais o que fazer com eles. Sou fragmento de homens, pedaços abjetos de mulheres. Peças de uma vida intensamente vivida e infantilmente registrada
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Pois arte é infância. Arte significa não saber que o mundo já existe, e fazer um.Não destruir nada que se encontra, mas simplesmente não achar nada pronto. Nada mais que possibilidades. Nada mais que desejos. E, de repente, ser realizações, ser verão, ter sol.Sem que se fale disso, involuntariamente. Nunca ter terminado. Nunca ter o sétimo dia. Nunca ver que tudo é bom. Insatisfação é juventude. Deus era muito velho no inicio, creio eu. Do contrario, ele não teria parado no fim da tarde do sexto dia. Nem no milésimo dia. Nem hoje ainda. Esse é todo argumento que tenho contra ele. Que ele pôde se consumir. Que ele achou que seu livro tinha chegado ao fim com os homens, e então pôs de lado a pena e esperou para ver quantas edições teria. Que ele não foi artista, isso é tão triste. Que ele ainda não era artista. Dá vontade de chorar por isso e perder toda a coragem para tudo."Rilke
Dias de amor vazio e volátil
Em um dia como esse eu existo.Amor!Existo porque estou cheia e ao mesmo tempo vazia.Coberta de males, esses males que fazem bem para à alma.Cansada.Um cansaço diferente, crescente e benéfico ao meu querer.Um querer que ainda desconheço, vou tentando escrever pra ver se me alivia, uma necessidade incessante de qualquer coisa...Mas estou bem assim!Volátil...Enraizada no me sangue.Por vezes...Eu sofro.Por horas...Existo. Tem coisas que me apertam!Sensações que me agarram!E aí...Nada nunca mais nada...Eternamente apertada interrogada e abolida!Pétalas cortadas despedaçando escada abaixo sobre um chão de sangue sem terra!Seca, morta...Gente! Quão difícil é o amor meu deus!O que quero da vida?Ainda não sei.Bastam-me os dias.serve-me de vinho o ser, embriaga-me esse agora estonteante.Já chega!Orgulhosa, futurista...Museu!Sou algo que pra mim é de mais, sou merda que em mim é não ser, sou monstro, que dentro é querer de mais. Sou!E no instante seguinte não sou nada. Preciso me descobrir mais em você!Encontrar as frestas para adentrar nesse seu interior ignóbil, misterioso, abjeto de ser...Escancarar sua lama!Precisamos dela.
Terceira Guerra mundial
Silenciosamente existe sobre nossas cabeças um “protetor”, uma parede chamada SISTEMA, que nos inibe a visão, a audição e o tato para percepções inerentes ao ser humano. Pelo simples fato de ser necessária a paralisação do pensamento.
Estamos imersos em uma grande massa que aparentemente nos faz bem. É preciso obter uma casa, querer uma carreira para o futuro, comer demasiadamente de mais para depois gastar com coisas que nos façam comer de menos, ter aspirações e novidades sempre presentes. O grande comando espertamente nos distrai, tirando de nossa visão o verdadeiro foco, aquele que ainda mantém o homem como uma criança tola brincando de pipa a beira do abismo.
Vivemos dentro de uma caixa controlada por gigantescos “Bons-ventríloquos” homens mascarados de boa vontade que nos fazem ingerir ímpetos e motivações FALSAS. Como em “Laranja Mecânica” também infiltram em nossas cabeças um filme, uma música, uma propaganda que repete insistentemente para instalar dentro de nós uma ojeriza ou uma afeição por algo que definitivamente NÃO É NOSSO!
Será que é tão difícil enxergar a bomba que nós estamos criando?Os monstros que estamos nos tornando?Abdicando cada vez mais da nossa sociedade e da nossa compaixão para com o outro para nos arrastarmos em cima de um salto e corrermos esmagando cabeças para obter mais e cada vez mais?
Eu lhes pergunto:
O que vossa excelência deseja?Não lhe basta um par de botas e chinelo, um abrigo para se esconder dos malefícios do tempo e um alimentação simples obtida da terra?Você, respeitosamente digníssima senhora(o), necessita de 10 calças?20 camisas?80 casacos?2 computadores?3 celulares?25 amigos?10 refeições diárias?Conhecer a Europa?A África?3 empregos?4 casas?Jóias?100 pares de sapatos?etc...etc...etc...?Só queria que me respondesse a essas perguntas. Perdão minha cara ou meu caro, havia me esquecido que a fome do mundo não é culpa sua, e que você também é gente, afinal, que culpa tem se “Deus” lhe reservou o trono?!
Saiba que eu cago pra esse seu trono de merda, eu cuspo nele, faço xixi na sua cara.E esfrego dentro do seu “Encéfalo totalmente e altamente desenvolvido” A CULPA.
É isso, somos todos C-U-L-P-A-D-O-S, porque nos permanecemos em silêncio diante das covardias dos ventríloquos, empurramos nossas vidas como se só existisse debaixo do sol ou da lua nossos corpos sagrados, pisamos em cabeças, corpos, jogamos fora nossa responsabilidade para com o outro, para com a espécie HUMANA.Ficamos calados e vamos permanecer calados já que “aprendemos” ou “apreendemos” O MEDO.
Caríssimos senhores: ESTAMOS EM GUERRA.
Peço desculpas por dizer isso assim de forma tão explicita e brusca, temo que possa causar alguma arritmia cardíaca ou a perda involuntária da visão.
Obs:Tamanho possam ser os malefícios dessa constatação, venho pedir encarecidamente a todos que preferem continuar suas vidas medíocres, que apaguem imediatamente esse texto.
Para aqueles que continuaram, e não temem as conseqüências, continuarei!
Está instalada a Terceira Guerra Mundial. Diferente de todas as outras essa agora é mais inteligente, silenciosa, “Boa-moça”, e tem como aliados... NÓS!A maioria da população mundial. Estão assustados?Indignados?
Não, provavelmente não, porque essa afirmação é a pior das calunias já feitas a tantas “Gente-do-bem”, trabalhadora, estudiosa, carinhosa...Pessoas assim como você, sua mãe, seu vizinho, eu.Artistas, escritores, bancários...Gente que vive cautelosamente e legalmente em um país DEMOCRÁTICO.
Kkkkkkkkkk não me agüento de tantas gargalhadas ao imaginar a cara dos senhores, PESSOAS DO BEM.
Imbecis. É isso o que somos.Imbecis cegos e idiotas.
Sempre justificando os nossos crimes, sempre escondendo nossa verdadeira cara, nosso verdadeiro querer, nossa verdadeira índole.
Somos fracos, mentirosos e absolutamente MEDROSOS. Não temos mais coragem pra nada, dessa forma vamos vivendo, nos escondendo de nós mesmos, nos suicidando silenciosamente.
Meus senhores, vocês acreditam que o crime mata mais que a fome?
Que ainda não temos a cura para AIDS?
Que a Gripe suína matou mais que o Bush no Iraque?
Que o nosso silêncio e individualidade não financiam a morte de milhões de seres humanos?
Que não é feita experiências em homens?
Que somos extremamente preconceituosos?
E que assim como os nazistas acreditamos que somos uma raça superior a dos mendigos, pobres, assaltantes, delinqüentes, assassinos, e analfabetos?
Então, meus digníssimos colegas, assumam suas armas e escrevam na testa.
IMBECIS.
Aposto que você está tentando se convencer da pessoa boa que você é!Está puxando na memória as coisas boas que você já fez, o quanto é irracional tudo o que está escrito aqui.Pois bem, você tem a MAIOR DAS REZOES, você tem medo, você tem razão, você tem sistema, medo, Tv, propaganda, medo, massa, comercio, medo, dinheiro, fama, medo...Você deixou de ter você e só resta dentro dessa sua cabeça imbecil:
MAIS UMA MAQUINA PARA EXECUTAR TUDO O QUE NÓS(VENTRILOQUOS)NECESSITAMOS.
PARABÉNS!
Você foi aceito(a) nesse novo sistema de exercito.
TENHA SUCESSO NA VIDA E APROVEITE.
VOCÊ TERA MUITA SEGURANÇA, MUITA COMIDA, MUITO DINHEIRO, MUITA SAUDE, MUITOS BENS E O PRINCIPAL, MUITO MUITO MUITO PRESTIGIO.
DESDE JÁ AGRADEÇO DUA ATENÇÃO, IMBECIL.
Foi assim, saí ligando para as pessoas como se eu fosse uma louca desvairada, dizendo que estava com saudade e que as amava.
Umas recebem isso bem, te da carinho, vontade de.Outras param no meio termo, sem sensibilidade com as coisas, sem deixar que o humano toque naquele exato momento. Então foda-se, é isso....E ainda tem aquelas pessoas que nem querem falar com você, que não entendem que o momento foi aquele, e que foda-se o passado e que talvez aquela fosse a última oportunidade de ouvir aquele outro.E se eu pulasse?E se naquele momento eu estivesse precisando que alguém olhasse dentro de mim e encontra-se o impulso da queda?Definitivamente o ser humano NÃO VIVE O AGORA, é uma pena!É uma pena que todos enxerguem SOMENTE seu próprio umbigo.
E não me venha com palavras e carinho, muito menos me pedir pra sentar em um buteco e falar comigo do mundo, do outro...Você não sabe do outro, você não vê o outro, simplesmente enxerga...Uma pena!Para com esse eufemismo barato, essa mediocridade na sua fala, me diga a verdade...Isso é beleza, é divino, é humano ...È uma pena que todos queiram saber do que vai....do que foi....e nunca do que é!È uma pena que o homem tenha se tornado isso!Um bloco de necessidades fúteis que necessita unicamente e exclusivamente de SUCESSO E DINHEIRO...è uma pena....
Vê se pode?Uma pessoa assim... Que se atrapalha e atrapalha tudo dentro de si por qualquer coisa ou uma coisa qualquer?Queria morrer por uns dias.Ou simplesmente deixar de querer tanto assim, deixar de acreditar de mais nas pessoas, me afetar menos com tudo, sentir um pouco menos, não me importar um pouco mais.Vê se pode?Não é possível que exista alguém assim!
Pensei tanto em você ontem!Preciso te dizer umas coisas!Não confie em mim, sou uma pessoa extremamente confusa,deixe eu elaborar pra você meus defeitos (sinceridade acima de qualquer coisa):Sou volátil, histérica, carente...Mas o maior dos meus defeitos é a intensidade!Quando quero, quero de mais.Quando desejo, desejo de mais.Quando amo, amo de mais.Sou perigosa neurastênica e maluca.Acredito que sou aquilo que não sou, mesmo sabendo que não é...Acredito!Acredito demasiadamente muito em mi madre, e mi madre es usted!Confie no meu carinho, mas não confie em mim.Eu não consigo confiar em mim mesma, amo sempre os outros mais que eu, porque aprendi que me amar é desgostoso, desilusão barata de uma paixão adolescente!è isso....Falei!
Tem amores que não terminam, só eu não vivi um amor que não terminasse.Posso parecer uma chica muy loca, pero no!o mais importante é que te quero!Mi amore...te quiero mucho, não me abandone!Essa angustia permanente me sufoca, tenho medo de.Mas coragem para...Que venha a guerra.
Apagar
Deletar
Reduzir a nada
Um lixo a mais... Um lixo a menos... E daí?!
Não quero mais fazer planos
Não quero saber o que a vida tem pra me oferecer amanhã
Basta-me hoje.
Cansei de lero-lero
Cansei de fantasias alucinógenas errôneas e fantasmagóricas
Chega de futuro, chega de profissão.
Que bata comigo quem não tiver medo
Que ande do meu lado quem tiver coragem de mudar o destino.
Quem tiver coragem e força
Quem tiver amor...
Desejo cada dia mais a solidão!O fato de estar sozinha!A constatação de que tudo depende simplesmente e unicamente de um eu que ainda desconheço, que no exato momento ainda não alcanço!Fico então perplexa comigo mesma, mas desejo!Quero!Ainda não posso falar o porquê, não me perguntem!Deixem-me de lado!Esquecida, acompanhada por vários eu’s!Pedaços de mim falecidos pelo caminho, corpos....Me calo e maltrato!Penso.
Pronto!
Sou melhor com as palavras, é isso e talvez seja sempre isso.As palavras e os sentimentos que são meus comigo mesma, um individualismo exacerbado!Mas sempre para com o outro, para o outro, com o outro...Me sinto só!Sempre só!Deixe-me sentir menos meu Deus!menos e um pouco menos, sempre menos!retire de mim esse dia-a-dia covarde, arranque a angustia de sempre querer, é só esse o meu pedido.
Se as pessoas percebessem que o amor é a coisa mais linda e simples do mundo...Nada mais!O amor é difícil, é alma, eu e o outro, um emaranhado de sentimentos confusos.O amor é lua, sol, chuva, vento, calor....O amor é choro, solidão, medo....O amor é poesia, sentido, esperança....O amor traz a vida de volta....O amor arranca, arranha e corta....O amor é pureza, é criança, é humano
“Um ser Humano é o meu amor”
A vida exige de mim mais do que eu posso dar.....
“DEPRESSÃO, A EPDEMIA SILENCIOSA DO SÉCXXI”
Temos medo de viver o presente. O presente expõe, viver o agora dói. È mais fácil falar do que aconteceu e ficar dizendo do que vai ser feito, porque nesse instante elimino o presente.Extirpo a responsabilidade de ser.O compromisso de estar e a exposição de existir dizer e querer nesse exato momento agora.
Simplesmente Antonieta
Estavam todos na sala.Antonieta se revirava dentro do vestido que não cabia.Não sei fazer poesia, muito menos escrever assim formatadamente, fico a perceber as pessoas, aguardando o momento certo de agir, guardando na boca os sentimentos e dentro da minha cabeça vazia um monte de formas irreais.Todas dentro de si, eu não quero mais dizer a vocês como estou, não quero me colocar dentro de um vestido roxo, sem decote, arrebentem os meus botões.Dizia Ela...
Era assim, Antonieta não se cabia, tentando fazer com que as pessoas a entendessem, começou a falar das alegrias da vida e desesperadamente começou a rir:
-Comecei a rir, e ria com uma força profunda que vocês não saberiam o mensurar o tamanho.Eu ria e ria, que a forma do meu rosto começou a se desfazer, o meu corpo se contorcia e eu gritava como era bom viver e o quanto eu era feliz.Foi se desfazendo as formas, me transformei em algo que não acreditava, ria e gritava, falava.Ria de uma maneira doentia, sofrida...Desfaleci de tantas risadas.No fim estava fumando um cigarro e não me cabendo em lágrimas.
E assim todas as pessoas da sala chegaram a uma solução simples, para uma reação simples e uma pessoa simples.
-Então?....Vocês gostam de Cuba?
Cada busca inútil me traz uma impressão longínqua de despedaçar-se: chegou-se a algum lugar, afinal, pois chegamos quando nos dispomos a continuar; mas a que custo! Seria talvez mais desejável para nos, gente, não chegar, achando quem sabe um último suspiro depois de um último passo.Cada noite que desce sobre uma espera vã traz-me à boca um gosto de vinagre, aos ouvidos um som qualquer que ensurdeça. Ninguém se disse adeus, e na ausência de luz alguém está morrendo sozinho.Cada vez que não morremos parece-me que demos mais um passo pra trás, progredimos no sentido inverso, chegamos, pois que nos levantamos para prosseguir. E nestes dias de indolência, oco, ânsia oculta, uma sensação de interminabilidade sobe, sobe, pelas veias sobe. Nada. Esta falta de segredo é uma chegada, no seu verdadeiro significado: chegada é sempre escala; ponto para respirar; pela penúltima vez, quem sabe.
Esta brisa marinha semimágica que entra tão sub-repticiamente pela janela denuncia o quê? Ou liquefaz meus suspiros em mistério tátil e tácito. Meu Deus, de novo a brisa a me desalienar e desalinhar, despertando o borbulhar que o ano inteirinho pressentiu. Suspirosa e oleosa, uma tonta. Ligo o rádio. Será que eu fui engolida inteira? Faz de conta que a minha digestão é fácil, que as grandes partes se derreteram já, que os ossos cuspidos estão arrumados, insensíveis e ressecando [...] A noite despencou e quebrou três estrelas.
Samba-canção
Tantos poemas que perdi.
Tantos que ouvi, de graça,
pelo telefone – taí,,
eu fiz tudo pra você gostar,
fui mulher vulgar,
meia-bruxa, meia-fera,
risinho modernista
arranhando na garganta,
malandra, bicha,
bem viada, vândala,
talvez maquiavélica,
e um dia emburrei-me,
vali-me de mesuras
(era comércio, avara,
embora um pouco burra,
porque inteligente me punha
logo rubra, ou ao contrário, cara
pálida que desconhece
o próprio cor-de-rosa,
e tantas fiz, talvez
querendo a glória, a outra
cena à luz de spots,
talvez apenas teu carinho,
mas tantas, tantas fiz...
Ana Cristina Cesar
"Estou aprendendo a ver.Não sei o que provoca isso, tudo penetra mais fundo em mim,e não pára no lugar em que costumava terminar antes.Talvez um interior que ignorava.Agora, tudo vai dar aí.E não sei o que vai acontecer"
"Então, de repente, sem pretender, respirou fundo e pensou que era bom viver. Mesmo que as partidas doessem, e que a cada dia fosse necessário adotar uma nova maneira de agir e de pensar, descobrindo-a inútil no dia seguinte - mesmo assim era bom viver. Não era fácil, nem agradável. Mas ainda assim era bom. Tinha quase certeza."
"Eis uma maneira de encarar a velhice: é a época da vida em que a consciência de que a sua vida está em jogo é apenas um fato cotidiano. É impossível não saber o fim que o aguarda em breve. O silêncio em que você vai mergulhar para sempre. Fora isso, tudo é tal como antes. Fora isso, você continua imortal enquanto vive."
Philip Roth - O Animal Agonizante
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